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quinta-feira, 24 de abril de 2025

Amores

Eu sonho com amores
Amores possíveis 
Sensíveis 
Que me alcancem sem temores 

Há rumores de que não encontre 
Confronte
Sem viver de ilusões 

Emocionada?
Sim, eu sou!
Viciada em viver, em querer
Seguindo eu vou
Sem abrir mão de ser intensa

Não aceito pouco 
Nem preciso de muito
Somente honestidade
E diálogos ricos, verdade
Carinhos, beijinhos 
Entrega com liberdade

Insisto em sonhar
Com tudo o que é possível 
Me afasto do confuso
Contudo
Entrego-me 
Mas no compasso que o desencanto surge e fere
Fecho-me 

Sou mulher, aprendendo a jogar
Defesa atinada, ataque voraz
Desejo latente de corpo a clamar
Pelo respeito daqueles que ousam amar

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Saber escrever?

Eu queria saber escrever... Pensativa, segue no ônibus lembrando de textos e poesias que não foi capaz de escrever. Puxa o celular, pesquisa as leituras lindas que gostaria de ter o talento pra ter escrito. Sim, talento. Ou vocação. Enfim, não nasce para todos e não foi para ela. Pesquisa mais alguns, passa da parada que ia descer. Segue o caminho, cabeça fervendo, precisa parar e escrever, tá na brisa do beck que fumou ao acordar. Pega o celular, olha ao redor, pode ser assaltada, guarda na bolsa, aperta contra o peito e anda. Fala com Exu, com seu Zé, segue na fé, chega viva. Está viva! A vida segue morna, mas viva! Precisa extravasar igual a Anitta travada na comemoração do VMA que ganhou. Mas ela tem talento, é rica, deve extravasar. Sem talento pra escrever, nem pra ganhar um VMA, segue viva para o trabalho, mais um dia de anonimato e sem talento, de desalento e descrédito, ela ri, ri da própria decadência e do gosto de poder agora extravasar sem ser filmada, uma preta qualquer, num trabalho qualquer, uma foda qualquer... Escrever sem nexo será um talento?

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Plena

Paz na solitude
Escapar da escravidão
De achar que a completude
Só existe com outro ser
O tempo e sua virtude
A nos amadurecer
Hoje penso como pude
A vida toda entristecer
Por aguardar aceitação
E regras estabelecer

Peguei a visão
É tudo imposto
Agora posso sentir o gosto
De calma no coração
Com afetos suaves, sinceros
De amores tão belos
Que não precisam de ilusão
Nem rompantes severos

Paixões não nego, vou bebê-las
Mas sem expectativas
Somente a delícia
De poder vivê-las
Com a segurança que delas
Não quero mais depender
Aprendendo a viver
Sabendo que só em mim
Habita meu maior prazer

sábado, 15 de agosto de 2020

Suspeita

Nessa vida
Gente preta
É suspeita
Segue em frente
Via estreita
Faz pelo certo
Se respeita
Não importa
É suspeita
Sabe da dor
Quem peita
Paga o preço
Não se deita
Minha suspeita
Na verdade
É a certeza
Que incomodo
Ao expor incoerências
De quem sempre esteve longe
De se sentir
Sob suspeita
Mas vou incomodar
Aceita!
Meu crime
Ser rebelde e preta
As críticas vou ponderar
Das negras
Que sabem como eu
Da treta
Que é enfrentar a vida
Sentindo-se sempre
Suspeita

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Mais tesão

Mas que doce lembrança
Desses beijos que bebi
Dos seios tão desejados
Não só por mim
Alegra meus pensamentos
Nesses dias me excita
Dá saudade
E vontade
De querer muito mais
Possuir o que jamais é dominado
Isso precisa ser domado
Pra que seja feliz o ser amado
Desejo deve ser respeitado

Amo ser livre
Ser minha
E ao mesmo tempo de todos
E todas
Todas as formas de prazer
Eu quero poder viver
Esse gosto gostoso na boca
Vou guardar
Pra quando oportuno lembrar
Que sempre pode haver mais tesão
Que a vida pode te dar.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Preciso vencer


Eu preciso vencer
Tudo que me põe pra baixo
Preciso vencer
Aqui, sozinha, sem colo
Preciso vencer
O colo não chegará
Preciso vencer
A vontade de desistir, de sumir
E nada fazer
Preciso vencer
Deixar de me humilhar
Com migalhas me conformar
Preciso vencer
Essa carência como explicar?
Preciso vencer
Ser mãe, trabalhar, estudar
Preciso vencer
Militar no isolamento, não parar
Preciso vencer
A quarentena que não acaba
Preciso vencer
Os hormônios que meu corpo não cala
Preciso vencer
O racismo que todo dia escancara
Preciso vencer
O machismo tempo todo na minha cara
Preciso vencer
A autoestima sempre atacada
Preciso vencer
O medo de ser violentada
Preciso vencer
Dar fim em ciclo que não se acaba
Preciso vencer
Escrevo minha dor pra vencer
Tudo que não cabe em mim
E aqui não pode mais ficar
Cada negação, cada humilhação, cada ingratidão
Preciso vencer
Com minhas lágrimas a esconder
Pois mora aqui uma tempestade
Que na escrita quer acalmar
E mesmo exausta, para e pensa:
Eu só preciso vencer
Já chega de perder
Tem que jogar pra ganhar
Não pode mais se boicotar
A vida é disputa, não se pode negar
Então só repito mais uma vez:
Eu preciso vencer!
E preciso viver!

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Foda-se

Passei uma vida inteira
Achando que eu não podia
Não sou bonita
Não sou capaz
Vou ser agredida
Era o que sempre me dizia

Não tenho peito
Não tenho bunda
E nem nasci pra poesia
Até bater uma siririca
Era algo que eu não sabia
E tudo foi guardado, censurado
Eu só entendia que não devia

Não se pode chamar palavrão
Nem "trair" o seu mozão
Se for assumir o teu "beckão"
Vai sofrer muita sanção

Geme alto quem é puta
Se tiver pêlo é porque é suja
Pois pra ser respeitada
Tem que ter uma conduta
Essa é a face do machismo
Que te julga e te culpa

Mas foda-se quem se incomodar!
Eu vou gemer, eu vou fumar, e vou gozar
E vou escrever, vou me mostrar
Quer um boleto meu pra pagar?

Eu pago o preço por me amar
Pois eu entendo hoje, mulher
Que a gente precisa se libertar
Cada uma no seu tempo
No tempo que precisar
E eu vou estar aqui pra te apoiar!

sábado, 23 de maio de 2020

Sonhos

Sonho tanto com esse beijo
E talvez nem chegará
Mas tão gostoso de sonhar
Que insisto nesse erro incorrer

A vida é uma teia de incertezas
Em que a ilusão é a regra da realidade
Então esse meu sonho a mais
Não irá me derrubar

Pulsa sempre em mim essa adcição
Por beijos gostosos com paixão
E gente com muito tesão
Desejos que se exasperam na prisão.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Meus versos

Meu forte não são versos
Mesmo assim, os revelo
A transbordar o que sinto
Sem mais pudor do julgamento

Somos tão únicos
E felizmente diversos
A estética dos gostos
Muda a cada movimento

Todos muito bem pensados
E precisos
Ao sabor da elite do poder

Eu perdi a vergonha
De transgredir o sistema
Agora resta força e coragem
Pra arcar com as consequências.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Embuste

Tem coisas na vida
Com um gosto sem igual
Ver mulher se livrar de embuste
Se for eu, sensacional!

Mas por quantos temos que passar?
Que triste sina, mulher!
Ter que se decepcionar
A todo instante
Sem cessar

Mas não vale desistir de amar
Por mais que a dor te cegue
Amar é bom demais!

Já fico a esperar o próximo suspirar
O sorriso
O gozo
O florir
De beijos com tesão sem fim...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Tempo outra vez

Tempo
É ainda você, tempo!
Às vezes tão generoso
Imprevisível sempre
Na justa medida que se esvai as paixões
É a mesma medida que vem o perdão
Pode ser amanhã
Ou em meses
Até anos!
Existe uma escala de gravidade?
Ou uma de intensidade?
Não sei
Mas... mediocridade, não quero mais
Sai de mim, já tá demais!
Vida nova
Vem pra mim
Em toda idade.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Tempo

O que me mata agora é esse desejo
Desejo de que fosse eu
O motivo dos teus sonhos
Que teus lábios desejassem os meus
E fizesses de tudo por meus beijos
Não só quisesse meu perdão

Pois para mim ficou só a amargura
A mágoa, solidão, saudade...
E o medo em acreditar
Que seja possível alguém me amar
Sem me ferir, me machucar

Somente o tempo pra me curar
Dessa angústia, tanta tristeza
E que um dia me traga a beleza
De ver a vida voltar

Te quero tanto ainda
Mesmo sem querer
Por não fazer por merecer
Quem só te queria bem

Tempo, amigo, me socorra!
Venha fazer com que morra
Essa vontade de te ter!
Só o tempo perdoa
Leva tudo que magoa
Somente assim poderei te ver.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Preterida

Preterida
Mais uma vez na vida, preterida
Como num filme de tão repetido
Já se aguarda o final
Tenta curtir cada minuto, urgente
Chega a parte dos elogios, é fenomenal!
Se sente a mulher mais linda, foda, inteligente
A mais gostosa! Jamais encontrarei outra igual
Mesmo assim, já se aguarda o final

Preterida
Me cativa, me alimenta
Abre meu peito e sem temor
Me entrego pra provar do doce
De teu contato a todo instante
Sentir da paixão o sabor

Preterida
Desta vez não foi uma branca, relativiza
Uma cena que mudou da película
Porém minha dor nem mudou tanto, coloco aqui
Porque a vida pra mim é mesmo assim

Preterida
Fica o vazio, sem lágrimas
Não há mais o que chorar
Esse filme é a reprise
Porque o amor é livre
E não se pode dominar
Mas revivo cada instante
Pelo gosto de sentir
O pouco desse amor que a vida pode me dar

Preterida
Pra piorar, não consegue se encaixar num padrão
O que lhe parece encantador, mas desafiador
Eles se apaixonam e escolhem a monogamia
Nada posso mais ter!
Que falta de sorte a minha, tudo se limita!
E acabo assim,
Preterida.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Imunda

Preta
Imunda
Só presta a bunda
Mas nem bunda essa tem!
É só imunda

O que tocas é sujo
Mas é de uso
E abuso
A buceta que fede
Só pra meter serve
Pra beijar só fina flor
De cor cálida, rosada
De menina depilada

Preta
Teu tambor é imundo
Sujo pela história
Do racismo e preconceito
Que insiste em sua glória

Tua cor é que diz
O lugar que tu mereces
De indigna, suja, subalterna
Devassa, piranha
Depravada...
Não me serve!

Ainda bem, pois desse verme
Só enxergo a ignorância
Morra com seu nojo!
Sai daqui com teu achismo!
Pois a preta só quer do lado
Quem luta contra o machismo

Não aguento mais racismo
Nem tanta humilhação
As pretas nesse corre
Querem só libertação!

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Suspiros de uma canção

A música toca
Saudade de paixão toma meus pensamentos
E é de ti que me lembro
O gosto do teu beijo
A lembrança do teu cheiro
O arrepio da minha pele com teu toque
Tudo me vem ao fechar meus olhos
Numa viagem ao mundo do impossível

Sensação que não se perdeu
E que não tem esperança de voltar
Que em versos tenta alimentar
A chama que não vai mais queimar

De um longo suspiro
Surge um sorriso
Por ter vivido essa loucura
Tão piegas quanto esses escritos

Ah como eu queria que soubesses
Da saudade que sente meu corpo
Em viver tudo isso de novo
Que chegue em ti meus sentimentos
Como um pedido de socorro

Ainda te quero e não terei.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Dúvida

Não sei se te quero
Ou se me quero
Apaixonada, louca
Desvairada
Sei que senti saudade
Da energia, da utopia
Do amor e da amizade

Eu continuo sem saber
E não sei quem o dirá
Serás tu ou será eu
Que irá nos condenar
A viver de intensa paixão
Ou deixar de fantasiar
Calando em meu peito uma ilusão
Que insisto alimentar

Se te quero ou não
Nem eu mesma sei dizer
Saudade de ti ou de paixão?
É só mais uma confusão
Que a vida vai resolver.

Tirando onda com as palavras e rimas fáceis no finalzinho do natal.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Vontade

Que vontade de um beijo
Beijo com paixão
Que esquenta o corpo
E os lábios, todos
Apaga as tristezas
Consola as feridas
De estremecer a libido
E traz gosto de vida
Beija
Abraça
Agarra
Esfrega
Suspira
Sussurra
O gozo, delícia
Ah, como queria!
O sabor de uma lambida

terça-feira, 10 de julho de 2018

Medo

Do teu cheiro que sinto
Relembro do beijo
Me queima o desejo, não minto
De tê-los mais e mais

A doçura do olhar
Põe à face um menino
A inocência de belos sorrisos
Em homem se transforma
Na firmeza dos gestos
Me delicia ao me tocar

Doce perdição de caminhos
Êxtase comunhão de prazeres
Até a razão admite
A necessidade de transpor limites
E reinventar a felicidade

Tenho medo de gostar de certos sorrisos, destes assim que a alma se perde e desaparta da razão. Daqueles sorrisos que acompanham um olhar escancarado, que não consegue enganar, que revela toda a doçura e bons sentimentos que te querem.
Mas o medo não pode impedir almas livres, o medo aprisiona, sufoca, emperra. O medo é inimigo da liberdade, uma pena é a covardia do ser em não superar alguns, e beleza é estar disposta a ultrapassá-los. Que a liberdade domine!
Escritos de 2011.

sábado, 30 de junho de 2018

Te quero

Te quero
Só penso que te quero
De avassaladora paixão que busco
A cada instante
Que me alimente

Preciso desse gosto
De vida que brilha e colore
O sangue que pulsa mais forte
A palavra que sai sem esforço

Um beijo teu
O desejo puro e simples de sentir
Extasia meu corpo
Trêmulo de ímpeto
Por querer este momento

Eu te quero assim
Do jeito que é, o jeito que quis
A cada suspiro, cada sentido
Que não cabe mais em mim.

                                Julho/2013

domingo, 3 de junho de 2018

Amor próprio

Como tanto amor assim pôde acabar?
Será que nunca existiu?
Ou não resistiu?
Amor, esse enigma que não se explica
E tantas vezes me complica!

O amor tudo vence! Diz o romantismo patriarcal
Vence abuso? Desrespeito?
Vence estupro? Traição?
Isso tudo só um amor vence: O amor próprio!

Eu me amo pra saber amar
Apesar de quase ninguém explicar
A nós, mulheres, esse poder
De pensar em si em primeiro lugar
E dizer a alguns: vai é lá!

Quem quiser meu amor, me ame
Liberdade é a minha lei!
Não aceito, não tolero
Violência, nem mentira
Dessas eu já cansei!

Amor próprio é o meu amor!