sexta-feira, 25 de agosto de 2023
Minha Dissertação - Negras no Topo? Paridade de raça e gênero nos cargos de direção do Partido dos Trabalhadores
segunda-feira, 20 de março de 2023
Campanha pela vida de todas as mulheres: lutas, conquistas e desafios - Magis Brasil
Março é mês de luta das mulheres e abrindo o mês, no dia 1º, tive a oportunidade de representar a Marcha Mundial das Mulheres na live de abertura da Campanha pela vida de todas as mulheres: lutas, conquistas e desafios, do Programa Magis Brasil. Pude falar um pouco da história de luta das mulheres junto com minha companheira de Marcha, Marcele de Paula, e sobre as pautas do movimento feminista, destacando o feminismo negro e a importância da articulação política de mulheres para o combate à violência e avanços em políticas públicas.
O momento contou com a participação de Clara Mabeli e foi mediado por Emiliana Pacheco, ambas do Programa Magis. Agradeço muito pela acolhida, pelas trocas e desejo muito sucesso na campanha!
O bate-papo ficou registrado no Youtube e também disponível como podcast no Spotify.
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
A solidão é minha única via
Tem momentos que me vejo triste, tão triste... é normal, pois que na vida não é possível a felicidade constante. Assim como tenho um montão de motivos para estar feliz, pra sorrir, também outros inúmeros motivos para entristecer. Em algum momento a tristeza vai chegar, é preciso estar preparada pra esse momento, pra que não venha tomar um espaço pra além da sanidade.
Me entristeço com a solidão,
queria um colo e um bom sexo agora, não posso ter. Sinto um tesão enorme depois
que estudo, após horas de leituras e escritas, um bom sexo cai bem... mas não
tenho ninguém, me sobra a tristeza. Não sei se é mais triste isso ou ter alguém
e mesmo assim não ter sexo, acho que ambos são tristes, tristezas diferentes.
A solidão é minha única via,
caminho certo para evitar aborrecimentos, violência, desdém, abusos. A solidão como arma política. Tem um fanzine sobre isso quando a gente faz a busca, de Marcela Lagarde. O medo da solidão é impeditivo na construção de autonomia, porque desde pequenas nos formam um sentimento de orfandade e dependência, colocando a solidão como algo negativo. Mas foi a solidão que me ensinou a me amar e a dizer não ao que não preciso, ao que não quero e não é
bom para mim, a não mendigar mais afetos. Talvez não alcance tanto a
autoestima, pois por vezes entendo a solidão como preterimento, por não ser uma
pessoa bonita e interessante. Interessante sei que sou, mas bonita nem tanto,
estou fora dos padrões vigentes, acho que o estigma de “preta feia” nunca
deixou de me acompanhar desde a adolescência, aprendi a conviver com ele e sei que deve ser um trauma a vencer.
Acho que não sei mais flertar, na
verdade nunca soube, já levei tantos foras que tenho preguiça de arriscar mais
um, e a solidão me acompanha assim, pois se não me lanço é que nada cai na
minha rede. Já fui muito lanceira, me diverti muito, mas tbm me lasquei igual. Estou
inerte, paralisada. A solidão da mulher negra se faz real para mim. Negra e
mãe, além de tudo feminista, dona de si, eles não querem bancar.
E elas? Pq não falo delas? Pq tbm
não aparecem. Quem sabe um dia eu viva algo bem inusitado e diferente, que me
faça rever tudo isso, não sei, melhor não contar com nada... cansei de viver de
sonhos e ilusões, de contos de fadas, agora eu sigo a realidade e minha
realidade é essa, solidão de uma mãe preta cansada de sofrimentos e carente de
cuidados, de afeto, de carinho e pq não, de sexo. Quem poderia cuidar de mim
pelo menos um pouquinho? Não sei! Eu só sei é que não posso contar com isso e preciso
seguir me cuidando, é o que me resta. Hoje entendo que não posso mais me
escravizar em relações ruins pra suprir essa carência, e nem sucumbir aos
contos encantados da metade da laranja e complementação, não se trata disso. É só
o bom desejo de contato e trocas de energias que não são permitidos a mim, a
nós, o afeto nos é negado e as relações saudáveis são uma loteria, assim se dá
minha sentença nesse viver.
E tem sentenças pesadas para mulheres trans, gordas, com deficiência, idosas, e a cor negra intensifica a opressão. Lutar também é minha única via, para que essa realidade se transforme, que não sejamos mais inferiorizadas, mal tratadas, desrespeitadas, desprezadas. Somos humanas, sociáveis, cheias de energia, também merecemos amor e afeto sadios, satisfatórios, em diversas composições, acordos, cores e sabores!
segunda-feira, 9 de agosto de 2021
Sim, sou mal-amada!
Existe um conhecido jargão que
lança às mulheres quando estão irritadas ou mal-humoradas a alcunha de mulher mal-amada,
relacionando a falta de sexo ao estado de stress que a mesma se encontra, e deixa
implícita a mensagem de que a mulher para ficar bem e calma necessita de um
falo que lhe dê prazer, e somente o homem seria capaz de cumprir esse papel. O
famoso “isso é falta de homem” complementa a ofensa.
Pois bem, o fato é que grande
parcela das mulheres são mal-amadas na real. Não somente pela falta de sexo,
que faz parte da rotina de diversas relações, ou sexo de péssima qualidade, mas
pelo tratamento que recebemos todos os dias de nossos companheiros homens. Faço parte do exército
de mulheres mal-amadas, pois hoje sendo solteira e sem intenção alguma de
assumir relacionamento, sou imediatamente direcionada ao papel de puta, objeto
de uso e desuso, e deste modo sou assim tratada, sem respeito ou cuidado, já que não sou digna, e assim também opera o
patriarcado sobre mim. É difícil encontrar sexo de qualidade quando o tesão
desperta não somente pelo físico, pela química, mas também pelo caráter e
inteligência.
E por falar em relacionamento,
qual a mulher que convive com um homem que não teve que se irritar ou aturar a louça suja na
pia, a cueca enrolada no chão, a privada suja, a “inaptidão” e “lentidão” para
executar certas tarefas domésticas, fazendo com que a mulher assuma logo a
tarefa de vez pra não se irritar ainda mais, que tem que lembrar o companheiro
de todas as obrigações que são dele, do cuidado com as crias, do que elas
necessitam, a ponto até de marcar a consulta do homem adulto junto ao médico, causando uma
sobrecarga mental que é invisibilizada. Certamente que são pouquíssimas as que
não passaram ou ainda passam por essas e outras situações! Pare e ouça com
atenção as queixas de uma mulher casada e verá que a lista de situações
irritantes e exaustivas é muito maior!
Somos subjugadas, controladas, humilhadas, violentadas, estupradas e até assassinadas por nossos companheiros, as
estatísticas não me deixam mentir! As mulheres não são somente mal-amadas, são
odiadas mesmo! A mulher negra ainda ganha mais uma camada de ódio, desprezo e
humilhação, dado o peso do racismo sobre nossa existência. Foram muitos anos
que nossos corpos foram animalizados, herança da escravidão, que manteve a
comercialização de nossos corpos e com papeis determinados para exploração,
seja sexual ou do trabalho doméstico.
Da próxima vez que disser (eu
espero que não diga) ou ouvir que uma mulher é mal-amada, pense nisso que
acabou de ler. Se tu amas mulheres, segue dando amor e muito mais amor, lutando para que sejamos
bem-amadas, melhorando a cada dia, se observando e tomando atitudes que
demonstrem amor. Não queremos somente palavras lindas, promessas, presentes ou
juras de amor, queremos atitude! ATITUDE! Queremos ver a prática do dia a dia
provando que existe amor e cuidado, diálogo e autocrítica, companheirismo e respeito.
Se tu, mulher, é bem-amada, que maravilha! É justamente isso que queremos pra todas nós! Seguiremos na luta por nossa felicidade, por nossas vidas, por nossas (re)existências! Que as mulheres sejam felizes e bem-amadas não só por seus parceiros, mas por todas as relações, que sejamos respeitadas e valorizadas, felizes sozinhas ou acompanhadas. Felizes!
domingo, 21 de fevereiro de 2021
Maternidade: amor, solidão, imposição
Quando a mulher se entende com um útero, possuidora de um órgão que pode gerar outro ser dentro de si, sente em algum momento o dilema de querer ou não experimentar a sensação de gerar um filho. Daí é viver a dicotomia do cuidado e medo de engravidar cedo demais e mais tarde a angustiante contagem regressiva de um “relógio biológico”, como se tivéssemos um prazo de validade prestes à expirar. Esse dilema vem acompanhado de muitas questões e influências, principalmente ligadas à nossa socialização e modelo de sociedade que estamos inseridas.
Para a maioria de nós, a maternidade é romantizada, é pintada de rosa todos os dias desde nossas brincadeiras de cuidar de bonecas até os filmes, animações, novelas e séries que transmitem a imagem do final feliz da mulher sendo mãe e formando uma família com seu príncipe encantado. A mulher que ousa apontar as desvantagens e crises reais do ser mãe e desse ideal perfeito de família tradicional é castigada por subverter essa ordem, recebe julgamentos depreciativos como amargurada, ressentida, mal-amada, frustrada, louca, doente. É preciso muita coragem pra contrapor a ordem vigente!
“Ser mãe é padecer no paraíso” escutamos desde cedo. O paraíso, eu como mãe posso afirmar, é o amor de uma criança, sentir o amor de uma criança é algo sem igual, sentir no olhar, no sorriso, nos gestos mais verdadeiros e sinceros que aquele serzinho tão pequeno e tão incrível, te ama de forma honesta e pura. Mas ouso dizer que esse amor, o de mãe, da maternidade, não é o maior, nem o mais intenso e único, é o amor da criança que te causa essa sensação.
O amor de quem
cuida e convive com uma criança intensamente, de quem é responsável por sua
vida, uma tia, um tio, uma avó, um avô, padrasto, madrasta, ou até de alguém
sem parentesco algum, pode ser tão intenso e protetor quanto de uma mãe. O amor
nasce da convivência. Tu experimentas esse amor, por exemplo, quando tá na rua,
passa por brinquedinhos de um camelô e já lembra da criança, quando sente
saudade, quando se preocupa na doença, não quer vê-la sofrer e morre de medo de
perder essa criaturinha. Enfim, acredito que esse amor pode ser experimentado
na mesma dimensão, independente de ser mãe.
Outra situação são das mães que não sentem esse amor, seja por sofrerem com a depressão pós parto ou surpreendidas pela alta carga de demandas e responsabilidades que um bebê exige. A mulher se vê em crise, pelos julgamentos ou por sentir-se horrenda e monstruosa ao não corresponder essa lógica do "amor maior do mundo", por vezes não se percebem adoecidas e só intensificam seu estado de dor ao não buscar ajuda profissional. O mesmo julgamento cruel se dá com mães que abandonam os filhos, ao não considerar os fatores psicológicos, hormonais, sociais e estruturais que podem ter levado a essa atitude. Cada ser é único e experimenta as sensações de forma diferenciada, por isso a importância de parecer de especialistas ao invés de achismos ou execrações.
O amor, para além do sentimento, também é uma construção social, deste modo, o amor e o instinto materno nem sempre existiram nesses moldes na história da humanidade. A maternidade compulsória foi incorporada à nossa cultura com objetivos definidos e a coerção social, conceito de Durkheim, é um mecanismo utilizado na manutenção da cultura da maternidade compulsória, pois no modelo capitalista quanto maior for o excedente de mão de obra, maior também é a possibilidade de exploração dos seres humanos, que irão se submeter a qualquer oferta de trabalho por sua subsistência.
Mulheres são as máquinas reprodutoras de mão de
obra. A sociedade pressiona de diversas maneiras as mulheres para que sejam mães e formem família, tendo a romantização como arma das mais poderosas, que passa a ser utilizada de forma mais contundente a partir da queda da cultura dos casamentos
arranjados nas sociedades ocidentais, em que entra em cena a união por amor, e
o avanço da ciência com os métodos contraceptivos, que vieram a permitir à
mulher escolher. Para manutenção da ordem, se faz necessário influenciar nessa
escolha.
O romantismo nasce entre os séculos XVIII e XIX na Europa, junto com a transição para o sistema capitalista e pelas mãos da burguesia. E o dia das mães se oficializou no Brasil em meio ao seu processo tardio de formação do Estado capitalista industrial, início do século XX, e em sua comercialização, além do aquecimento da economia e do comércio, é vendido às mulheres que não existe amor igual ao de mãe, e a mulher que não vir a experimentar esse amor será incompleta, infeliz, sem amor, seca, e as que se negarem ser mães serão acusadas de egoístas.
É com essa pressão que as mulheres que optam por não ter filhos têm que conviver e algumas acabam por ceder, arrependendo-se mais tarde. E as mulheres que não podem gerar filhos sofrem também com essa pressão, se culpam e se martirizam pelo castigo de nunca poderem sentir esse amor. Poderiam adotar uma criança, mas vem os argumentos de que não é a mesma coisa, tem que ter meu sangue, meu DNA, o do pai também, e um monte de imposição que só levam a um caminho: a mulher como ser reprodutor.
Controlando nossos úteros e nossas
decisões, somos conduzidas à reproduzir a qualquer custo. Outra ferramenta que
reforça é a religião, na maioria cristãs, que encorajam o não uso de métodos
contraceptivos, pois interromper a reprodução humana configura "pecado", no
máximo uso da tabelinha e abstinência sexual, que além de pouco eficazes, não previnem de DSTs.
A realidade é que a mesma
sociedade que nos empurra para a maternidade é a mesma que depois não vai nos
dar uma lata de leite e nem cuidarão da criança para que a mãe possa trabalhar,
estudar, viver. Aliás, viver é algo que não pertence às mães, pois a vida delas agora
pertence aos filhos. “Meus filhos são a minha vida!” já ouviu isso? A anulação
feminina com a maternidade é tão natural que torna-se imperceptível.
A maternidade é muitas
vezes solitária. Uma criança exige atenção o tempo inteiro e essa atenção
compulsoriamente é responsabilidade da mãe, pois “quem pariu Mateus que o
embale”. Quer sair pra tomar um chopp com as amigas, mas tem um bebê? Vai
passar por julgamento com certeza, mãe não tem direito ao lazer, maternidade é
padecer, lembra? E isso se conseguir alguém pra “embalar o Mateus”.
“Mas se a criação for
compartilhada com o pai e se tiver rede de apoio é mais leve!” Não é bem assim.
Primeiro que mesmo com rede de apoio, ainda vai recair na mulher o maior peso
da responsabilidade por tudo, e dinheiro não será impeditivo de sofrer com o
machismo, os julgamentos e pitacos serão uma constante. E na real, na maioria, mulheres e
famílias não têm condições de pagar por uma rede de apoio, restando muitas
vezes para a mulher abrir mão do emprego ou entregar para a avó cumprir esse
papel “por amor”. O cuidado feminino é pago com “amor”.
Por amor, mulheres cuidam da casa, da família, do marido, reproduzem mão de obra e criam pra entregar ao mercado, tudo isso sem remuneração, pois as tarefas domésticas não são vistas da mesma maneira que um trabalho formal, são vistas como cuidado, como amor, e o cuidado pertence às mulheres. O capitalismo e o patriarcado dependem desse trabalho.
Ao interseccionar com raça e classe, observamos que as mulheres negras e pobres são as que mais assumem esse papel e de forma dupla, pois cuidam das suas crias e das de quem são pagas para cuidar, como babás e empregadas, com remunerações baixas e poucos direitos, lembrando que outrora, no período escravagista, nem remuneração havia. Não à toa a sociedade brasileira, racista e saudosa da escravidão, reagiu com muitas críticas em 2015 à legislação do trabalho doméstico.
Neste sentido, por
vivermos numa sociedade estruturalmente machista e racista, não se consegue
compartilhar de igual pra igual a responsabilidade de mãe e pai com sua cria,
nosso papel consolidado de cuidadora nos faz naturalmente assumir maiores
cargas de atenção do que o pai, e muitas vezes sem nem percebermos, nos
culpamos se nos ausentamos e falhamos nesse papel. O peso da responsabilidade
não é o mesmo, seja por preguiça e relaxo desse homem, seja pela conveniência
que eles têm de não terem sido socializados da mesma forma que nós, e por mais
maravilhoso e participativo que seja esse pai, muitas vezes nos vemos cara a
cara com a solidão.
A solidão de quando ele sai pra trabalhar e estamos integralmente com uma criança em casa. A solidão de dar conta de tarefas que eles se negam a assumir, seja com a desculpa de não possuir habilidade, de que a mulher faz melhor, que está cansado do trabalho, mesmo que a mulher também tenha um emprego, ela não tem direito ao descanso. A solidão de não sermos lembradas pelas amigas e amigos quando estamos com uma criança. Ninguém quer fazer programa com quem tem criança, a não ser as amigas mães que estão na mesma, daí dá-se as mãos e se ajudam, e se a mãe for casada ainda é esquecida pelas amigas mães solos muitas vezes, por ter guardada a impressão de que a casada não está sozinha, ela tem uma família, tem um marido, tem companhia.
Agora amigo pai pra fazer o mesmo, ainda não vi. Até porque
raras vezes a gente vai ver um pai completamente sozinho com crias, eles sempre
estão acompanhados e nem precisam nos procurar pra esse apoio. Observe por
exemplo num parquinho quantas crianças estão acompanhadas de um homem sozinho e
quantas estão com uma mulher sozinha. Eles quando estão no parquinho sempre têm
companhia, mas muitas mulheres não.
Um homem pai sozinho é rapidamente assessorado, é visto como herói, de tão raros que são. A esposa, a mãe, a sogra, a namorada, a amante, uma amiga, sempre alguém se compadece de um homem sozinho com uma criança, inclusive ajudam por preocupação com a criança também, já que o papel de cuidado não pertence aos homens e a criança pode estar assim malcuidada. A não ser que ele negue essa ajuda feminina e resolva assumir tudo sozinho, o que é bem raro também, chega a ser exceção, pois sentem o peso da solidão, da responsabilidade e rapidamente podem vir aceitar as ofertas femininas de cuidado.
É uma vantagem que não se enxerga, porque é naturalizada.
Para a mãe, resta a força pra dar conta de tudo, o estigma das mulheres
guerreiras. E quando entram em colapso pela sobrecarga, adoecem depressivas,
são mais uma vez julgadas como fracas ou cruéis, egoístas por negarem-se
a dar conta dessa missão divinal, uma fracassada.
Se chegaste até aqui, mana, deixo minhas sugestões: Se tu queres ser mãe, pesa tudo, pense no orçamento, nas atividades que deixará de exercer temporariamente por causa da criança, das anulações, leva alguns anos da vida. Se deseja dividir a criação com o pai na mesma casa, precisa pesar também a convivência com um homem, porque no final de tudo a carga maior vai ser tua, por mais alecrim dourado que ele seja, não tem como escapar disso porque a sociedade toda é estruturada pra ser assim, com o peso pesado para as mães, e a não ser que ele seja um ET, ele foi criado e socializado nesse mundo, com papeis definidos para homens e mulheres. E no momento que apertar peça ajuda, pois tu podes adoecer em qualquer momento, ou não.
Se o casamento pesar mais que a maternidade, te causar mais
problemas e infelicidade, caia fora! Por mais difícil que seja ou o tempo que
leve, te organiza e vai embora, em algumas situações é caso de vida ou morte,
infelizmente, mas pode ter certeza que vais dar conta muito melhor da tua vida
e da maternidade sem esse peso!
Se tu NÃO queres ser mãe, mantenha firme tua decisão. Não mude de ideia pra agradar quem quer que seja, principalmente homem, só se for tua vontade mesmo, não imposição. Não ceda, porque depois na solidão vai bater o arrependimento, não do amor da criança, mas das anulações e privações que tu decididamente já estavas disposta a não querer passar e vais te amargurar por isso, sem volta. Se vier a engravidar mesmo assim, pese bem a decisão, pois é teu corpo e tua vida que vai mudar.
Importante entender que filhos
não são poupanças para o futuro, nem posses, objetos ou em quem depositamos
nossos desejos não realizados, é incerto apostar no “quem vai cuidar de mim na
velhice”, seja pelo medo de ficar só, ou o filho vai se dar bem e te bancar,
enfim, um mundo de expectativas e responsabilidades num ser que sequer pediu
pra nascer. Filhos seguem a vida e não temos como controlar seus destinos. Medo
de ficar só nos mete em ciladas, cuidado! Não há nada de aterrorizante em morar
sozinha, nem de fracasso ou amargura, cultive sua autonomia, amor próprio e
seja feliz!
Se tu queres ser mãe, já ciente de tudo que foi dito aqui, mas não consegue engravidar, adote uma criança, não exite! O amor é idêntico, é o amor de uma criança cuidada por ti, que vai te chamar de mãe do mesmo jeito. Sempre digo à minha filha que tudo que a gente cuida bem e dá amor fica bem, e sempre nos responde de alguma forma. Nossas plantas ficam bonitas, dão flores se bem cuidadas, e uma criança dá o amor mais puro, independente se saiu ou não da tua barriga.
Nem cair em
conversa de que a criança adotada pode vir com personalidade do pai ou mãe que tu
sequer conheces. Caráter não vem em DNA, o ser humano é moldado em sociedade,
de acordo com o núcleo social que vive, ele vê e repete, e assim como é moldado
em casa, pela família, a sociedade também molda e apresenta diversas
perspectivas, e mais uma vez não temos controle. Filhos podem ser bons ou ruins
adotivos ou não.
E se não pode gerar e também não quer, não se martirize, nem se deixe abater. É difícil, mas infelizmente é essa a vida, precisamos nos defender e tentar viver da melhor forma. A maternidade compulsória, bem como a imposição do conceito de família tradicional, podem levar à realidade de violência, irritabilidade e frustrações. Uma criança precisa ser muito desejada e planejada, pois exige altas cargas de paciência, amor e estrutura para sua educação.
Que possamos refletir
mais sobre essa escolha e que não nos permitamos adoecer por coerções sociais.
Vamos sentir culpa, sendo mães ou não, por isso é importante ter noção da
estrutura que nos dita as regras para não cair no jogo, assumindo culpas que
não nos pertence, são impostas. Que nossos corpos e nossas decisões sejam
livres! Força sempre às mulheres, é urgente descolonizar nossos afetos!
segunda-feira, 22 de junho de 2020
Quando a gente não tem nada, o que era pouco te faz falta!
Esses dias são determinantes pra seguir livre mais adiante, e com o passar do tempo os benefícios começam a aparecer e tu te sentes mais decidida a não voltar mais. Isso quando tu realmente entendes que, por mais que o desejo ainda permaneça, os benefícios que estás alcançando compensam, pois te fazem bem, te livra dos males que tinha. Importante saber que vai doer um tempo, respeitar e viver essa dor também é necessário, a gente chora, sofre, ouve as playlists mais absurdas, enfim, mas tem que superar! E pra ir superando, mais uma vez trago a cartada do amor próprio, recompor a dignidade e trabalhar esse autoamor, não tem outro caminho, minha gente! Fora que já tô cansada de servir, quero é ser bem servida de volta!
domingo, 21 de junho de 2020
Ninguém se apaixona por "puta"
Não podemos nos entregar à tristeza em não conseguirmos alcançar algo tão simples que é um amor correspondido, nem podemos mais seguir no engano de nos dar demais a alguém na esperança de conquistá-lo ou receber tudo de volta, nessa tentativa desmedida e carência absurda de ter um amor, influenciadas também por essa demanda da busca do ideal de amor romântico. Em nome do amor próprio é se dar na mesma medida do que recebe, saber valorizar e viver bem com os diversos afetos pra quem sabe um dia o acaso te premiar, ou não. Hoje, honestamente, tô evitando me lançar em paixões, por conta do que reflito aqui e com base no que já passei e sofri, me restam poucas esperanças em relações com homem hetero, muito ainda pra avançar!
sábado, 20 de junho de 2020
A cruel pedagogia do coronavirus para as mulheres
quarta-feira, 17 de junho de 2020
Foda-se
Achando que eu não podia
Não sou bonita
Não sou capaz
Vou ser agredida
Era o que sempre me dizia
Não tenho peito
Não tenho bunda
E nem nasci pra poesia
Até bater uma siririca
Era algo que eu não sabia
E tudo foi guardado, censurado
Eu só entendia que não devia
Não se pode chamar palavrão
Nem "trair" o seu mozão
Se for assumir o teu "beckão"
Vai sofrer muita sanção
Geme alto quem é puta
Se tiver pêlo é porque é suja
Pois pra ser respeitada
Tem que ter uma conduta
Essa é a face do machismo
Que te julga e te culpa
Mas foda-se quem se incomodar!
Eu vou gemer, eu vou fumar, e vou gozar
E vou escrever, vou me mostrar
Quer um boleto meu pra pagar?
Eu pago o preço por me amar
Pois eu entendo hoje, mulher
Que a gente precisa se libertar
Cada uma no seu tempo
No tempo que precisar
E eu vou estar aqui pra te apoiar!
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Como o dia dos namorados te atinge?
segunda-feira, 27 de abril de 2020
A monogamia sempre me venceu
Mas num piscar de olhos a doida passa a ser puta, vagabunda, como são chamadas as mulheres que rompem com o patriarcado. A puta é considerada o mais baixo escalão de mulheres, sendo que elas ajudaram a sustentar por séculos o contrato monogâmico de forma diferenciada e privilegiada aos homens, enfim, o capitalismo racista patriarcal se beneficia de nosso trabalho, putas ou não, por isso tentam nos calar.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Afetos e desafetos na quarentena
Só o que me entristece por agora é não saber quando isso tudo vai acabar e poder ficar com minha filha, mas vou distraindo a mente por aqui e por acolá pra não pensar nisso. Agradeço a quem me ajuda!
sábado, 14 de março de 2020
Marielle Vive!
Não tive como confortar muito minha mãe, sei que estou longe de ser uma Marielle e disse isso em resposta, mas a morte dela me impactou justamente por isso, por ela ser uma de nós, negra, militante feminista, língua ferina, que não se cala diante da injustiça, que enfrenta, o tipo de gente que eles odeiam. Estava no Fórum Mundial Social em Salvador no dia de sua morte e de repente se encheram as ruas dessas mulheres, as milhares de Marielles em todo o Brasil que ousam lutar, mesmo que o preço a pagar seja a morte. E assim Marielle Franco vive, em nossa luta!
Te honraremos, não vamos deixar de perguntar quem fez isso contigo, mesmo que uma gama de ignorantes venham destilar seu ódio, questionando o que fizeste de tão relevante, te chamando de vagabunda, pois essa é a pecha que nos dão quando vêem uma mulher enfrentar o patriarcado, ele reage com uma horda de reprodutores fieis da desinformação, como cães de guarda. Eles ignoram completamente o fato de Marielle ter atuado com apoio jurídico e psicológico aos familiares de policiais assassinados, por exemplo, ou fingem ignorar, pois muitos deles são cínicos mesmo e sentem-se legitimados por esses canalhas que estão no poder! Mas não vamos desistir, seguiremos pelo que é justo, pelo que acreditamos, caminhando rumo ao sonho de um outro mundo possível!
#mariellevive #quemmandoumatarMarielle #paremdenosmatar #feminismonegro
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Comunicação feminista e uso das redes sociais
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Homens são falos
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Imunda
Imunda
Só presta a bunda
Mas nem bunda essa tem!
É só imunda
O que tocas é sujo
Mas é de uso
E abuso
A buceta que fede
Só pra meter serve
Pra beijar só fina flor
De cor cálida, rosada
De menina depilada
Preta
Teu tambor é imundo
Sujo pela história
Do racismo e preconceito
Que insiste em sua glória
Tua cor é que diz
O lugar que tu mereces
De indigna, suja, subalterna
Devassa, piranha
Depravada...
Não me serve!
Ainda bem, pois desse verme
Só enxergo a ignorância
Morra com seu nojo!
Sai daqui com teu achismo!
Pois a preta só quer do lado
Quem luta contra o machismo
Não aguento mais racismo
Nem tanta humilhação
As pretas nesse corre
Querem só libertação!
segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Recitando minha dor - ENECS 2019
RESUMO
NOTAS





