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terça-feira, 28 de abril de 2020

Partidos Políticos e o Estado de Bem Estar Social

Ainda bem que nessa quarentena meu curso de mestrado está seguindo a todo vapor! Este trabalho é a tarefa nº 2 da disciplina "Ferramentas analíticas das Ciências Humanas" do Mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas da FLACSO - Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais. Este curso é semi-presencial, oferecido através da Perseu Abramo exclusivamente a filiados e filiadas no PT, estou gostando muito! Muitas leituras interessantes e que estão totalmente ligadas com o que estudei em Ciências Sociais na UFPA. A cada 15 dias tenho atividade, assisto as aulas em vídeo, posso tirar dúvidas no fórum da plataforma do curso, leio a bibliografia apontada na ementa e redijo a tarefa solicitada. Essa fazia parte do conteúdo de "Tópicos Introdutórios em Ciência Política II", com o seguinte comando:

"Esta unidade trata de diferentes formas de organização e reação da sociedade diante dos efeitos produzidos pelas formas de exploração do trabalho desde o advento do capitalismo: sindicatos, partidos políticos, movimentos sociais e Estado de Bem-Estar Social. 
Escolha duas dessas formas de organização social/institucional e discorra sobre suas origens e mudanças. Como as relações entre elas aparecem na bibliografia? Como esses elementos ajudam a analisar os temas de suas transformações e declínio?"
Fiz o texto que encontra-se abaixo e fui avaliada com 10! 😊 Boa leitura!


Partidos Políticos e o Estado de Bem-Estar Social

É reconhecida pelos estudiosos a importância dos partidos políticos para pleno funcionamento de regimes democráticos, pois através deles é possível se estruturar a competição política, ou seja, a disputa dos interesses de cada classe. Suas origens remontam nas primeiras articulações no século XIX das agremiações de notáveis, que mantiveram sua existência através de partidos conservadores e liberais no século XX, como apresentado no texto de Osvaldo Amaral, que aborda a visão dos principais teóricos sobre o tema, tendo Robert Michels [1911] como um dos pioneiros na ciência política, que teoriza sobre a burocratização dos partidos políticos diante da “incapacidade das massas em se dirigir aliada às exigências técnico-administrativas de uma organização complexa como um partido político” (AMARAL, 2013, p.13). Bem como a obra Os Partidos Políticos (1980) de Maurice Duverger, em que o autor se destaca como um dos primeiros a tentar sistematizar a diversidade partidária, elaborando uma tipologia e esboçando uma teoria geral dos partidos políticos.
Neste sentido, tomando por base partidos da Europa Ocidental, Duverger fez análise comparativa destes combinando elementos históricos, ideológicos e organizacionais, construindo os tipos de partido, que são os partidos de quadro e os partidos de massa. O primeiro correspondente ao tipo que deu origens aos partidos, as agremiações de notáveis, que tinham como características centrais sua origem interna ao parlamento, não possuía claros critérios de adesão, descentralizada estrutura nacional e financiamento partidário que depende de alguns doadores privados. Os partidos de massa surgem com a expansão do sufrágio no final do século XIX e começo do século XX, ocasião em que adentra um grande contingente de pessoas na cena política, que levou também ao desenvolvimento dos partidos socialistas e comunistas, que integraram grandes contingentes de trabalhadores por estarem alinhados à concepção marxista de partido-classe. Nestes, as principais características são sua origem extraparlamentar, rigorosos requisitos de filiação, subordinação dos parlamentares ao partido e organização interna de alta intensidade. Por este estudo, Duverger define o partido de massa como modelo de partido que mais se adapta às condições impostas pela democracia moderna.
A partir de 1960 passa a ser observada transformações comportamentais e organizacionais de diversas agremiações da Europa Ocidental, em que o autor apresenta os estudos de Kirchheimer (1966) a respeito, que veio a sistematizar e propor um novo modelo para explicar essas novas características, representando uma inversão à hipótese de Duverger, e desenvolve o conceito de partido catch all. Para este:
A combinação entre crescimento econômico e amadurecimento do Estado de Bem-Estar provocou uma redução na polarização social e política, diminuindo a importância tanto da ideologia quanto das distinções de classe na cena partidária. Acompanhando as mudanças sociais mais amplas na Europa Ocidental, os partidos de massa estavam gradualmente transformando-se em agremiações diluídas ideologicamente, com apelos genéricos a todos os grupos sociais e cada vez mais voltadas para o sucesso eleitoral. (AMARAL, 2013, p.15).
Interessante correlacionar com o que Fiori apresenta em seu texto Estado do Bem-Estar Social Padrões e Crises (1997) sobre essas mudanças a partida da década de 60, destacando que “a nova esquerda em nome de um projeto de aprofundamento da ‘democracia participativa’ também viu no Estado de Bem-Estar Social uma peça central do imenso e anônimo aparelho de Estado responsável por um gigantesco trabalho de ‘cooptação’ e desativação da classe trabalhadora.” (FIORI, 1997, p.13)
O partido de tipo catch all, para Kirchheimer, tem como principais características: a) desideologização do discurso partidário; b) fortalecimento da liderança; c) declínio da importância da militância de base; d) apelo eleitoral pluriclassista; e) abertura para grupos de interesse variados (KIRCHHEIMER, 1966. In: AMARAL, 2013, p.15) .
Dentre essas transformações no período pós-guerra, que afetam as características dos partidos, vale ainda retornar ao texto de Fiori que trata dessas transformações no que tange a viabilidade e o sucesso dos welfare contemporâneos, e merece destaque duas de suas grandes pilastras identificadas pelo autor, que é o “clima” de solidariedade nacional que se instalou nos países depois da guerra seguida da solidariedade supranacional gerada por este novo quadro geopolítico, e o:
Avanço das democracias partidárias e de massa que, pelo menos nos países centrais onde de fato pode-se falar de welfare , permitiu que a concorrência eleitoral aumentasse o peso e a importância das reivindicações dos trabalhadores e dos seus sindicatos e partidos e dos demais setores sociais interessados no desenvolvimento dos sistemas de welfare states. (FIORI, 1997, p.5)
Fiori relaciona o que é possível concluir com mais consistência sobre a explicação da construção e expansão do Estado de Bem-Estar Social, que são:
i. a natureza, forma e ritmo do desenvolvimento econômico; ii. o grau, intensidade e organicidade da mobilização da classe operária; iii. o grau de avanço do desenvolvimento político-institucional; iv. a extensão ou impacto do efeito de difusão das inovações ocorridas nos países paradigmáticos; v. a forma peculiar e a intensidade em que se desenvolve a luta política envolvendo os partidos que tradicionalmente representaram o mundo do trabalho. (FIORI, 1997, p.11)
Retornando à dinâmica dos partidos e aos argumentos do texto de Amaral, o mesmo apresenta os estudos de Katz e Mair (1995) que identificaram a emergência de um novo modelo de partido nas democracias contemporâneas, o partido cartel, que seria uma linha evolutiva do partido de quadros, massas e catch all.
É importante tratar do partido cartel justamente por ter como característica suas relações com o Estado, que acabam sendo essenciais para sobrevivência da organização, articulando a aquisição de recursos necessários para sua sobrevivência, que Amaral destaca como fatores indicativos dessa dependência a garantia de acesso aos meios de comunicação de massa, a manutenção de assessores de parlamentares e de membros do Executivo, as atividades e organização partidária moldadas por regulamentações estabelecidas pelo Estado, a legitimidade que o Estado dá aos partidos quando seus membros ocupam os cargos públicos e a patronagem partidária, que para Mair é a utilização de recursos estatais pelos partidos para distribuição de incentivos seletivos para seus membros ou seus apoiadores.
Essa aproximação com o Estado traz consequências consideráveis para a prática democrática e a disputa interpartidária, pois “durante a prevalência dos modelos de partidos de massa e catch all, as agremiações agiam como intermediárias dos interesses da sociedade civil junto ao Estado. Agora, é o Estado que atua como intermediário entre os partidos e a sociedade civil.” (MAIR, 1994. In: AMARAL, 2013, p.18).
Amaral, seguindo a lógica dos autores que aborda em seu texto, afirma que “o processo de cartelização dos sistemas políticos tem consequências perigosas para o próprio regime democrático, pois os partidos não conseguem mais preencher o espaço de representação e agregação de interesses, abrindo lacunas para lideranças populistas e agremiações ‘antipartidos’.” (KATZ e MAIR, 2009. In: AMARAL, 2013,p.28).
Porém, segundo sua análise, os autores afirmam que não há até o presente nenhuma forma de organização política que se mostre superior aos partidos políticos no sentido de viabilizar a competição política nas democracias contemporâneas e que estas agremiações conseguiram no decorrer da história adaptar-se e superar os desafios encontrados de forma impressionante.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMARAL, Oswaldo. O que sabemos sobre a organização dos partidos políticos: uma avaliação de 100 anos de literatura. Revista debates, Porto Alegre, v.7, n.2, 2013.

FIORI, José Luís. Estado do Bem-Estar Social: Padrões e Crises. São Paulo: IEA, 1997. Disponível em: www.iea.usp.br/artigos

segunda-feira, 27 de abril de 2020

A monogamia sempre me venceu

Sou uma preta doida. Me apelidei assim porque desde a adolescência era chamada de doida, seja por minhas gaiatices, por ser impulsiva, atrevida, por não concordar com as caixinhas impostas pela sociedade, pelos meus fetiches, desejos ou por não tolerar injustiças e me fazer de doida mesmo! Doida é quem não está dentro do “normal”, não se sente contemplada com o padrão oferecido e decide transgredir, e apesar de não ter muita leitura quando era mais jovem sobre relacionamento não monogâmico, eu insistia em ser essa doida.

Mas num piscar de olhos a doida passa a ser puta, vagabunda, como são chamadas as mulheres que rompem com o patriarcado. A puta é considerada o mais baixo escalão de mulheres, sendo que elas ajudaram a sustentar por séculos o contrato monogâmico de forma diferenciada e privilegiada aos homens, enfim, o capitalismo racista patriarcal se beneficia de nosso trabalho, putas ou não, por isso tentam nos calar.

Esse tempo de isolamento social tem me feito revisitar muitas histórias, em especial os afetos, as relações. Me entendi e assumi como não monogâmica recentemente, mais precisamente em 2017 quando acabou meu casamento também por isso. Eu já me sentia assim, mas não conhecia nenhuma relação fora da monogamia de uma forma assumida, foi buscando leituras a respeito pra tentar entender isso que sempre senti, mas não sabia dar nome e se já tinha nome, que cheguei às reflexões sobre poliamor e não monogamia. Até então eu só tinha conhecido o swing e o “meio liberal” (acho uó esse nome “liberal”, mas tudo bem! rs Isso dá outro texto).

Nessas recordações, lembrei como em várias relações o fato deu ser assim, “doida”, me levaram a ser preterida. Sei que existem outros motivos, certamente, mas isso é outro assunto. Sou sempre considerada maravilhosa, inteligente, gostosa, divertida, que conversa bem, transa bem, uma boa companhia, mas que no final não vai casar e nem vai ser exclusiva, monogâmica. Pra alguns vira até festa, se encantam com a possibilidade da liberdade, se divertem, conversam muito empolgados a respeito, compreendem e concordam com meus posicionamentos, mas acabam optando pelo convencional, pela monogamia, e quando encontram alguém que vai lhes oferecer isso, eu sou descartada. Podem até sentir falta de mim, saudade, mas eu não sou o tipo de mulher pra se ter uma relação “séria” e fica melhor me ter como amiga. Fora os que já optaram pela monogamia, mas quebram seus contratos monogâmicos só pra matar saudades da “amiga” aqui.

É bem aí que paira um problema, a não monogamia para muitos não é pra ser levada a sério, nem é vista como relação sequer, eu mesmo não a enxergava, ou só um lance passageiro, uma onda, poder fazer o que quiser que a pessoa não vai se magoar, afinal é tudo livre, acha que ela vai compreender e assim acaba por não ter responsabilidade afetiva alguma com quem se relaciona dessa forma. Já parei pra pensar se de alguma maneira não tenho culpa (mulher sempre buscando culpa, né?) por não demarcar melhor isso com quem me envolvo, mas sempre deixei tudo muito bem transparecido, costumo ser verdadeira comigo e com quem me envolvo esperando de volta essa recíproca. Mas o que percebo hoje é a dificuldade em encontrar afetos que estejam afinados da mesma maneira que eu sobre a não monogamia, e decididos também a viver esse arranjo. Podem até achar bacana, compreendem bem, trocam ideia a respeito, mas não é isso que querem, a monogamia sempre me venceu porque no fim é isso que a maioria deles busca, conforto e exclusividade, sendo que muitas vezes eles nem oferecem isso de volta, aos homens sempre foi facultado ser infiel e sempre lhes doeu muito a alcunha de “corno”, ser corna não doi tanto quanto, pois assim fomos socializadas, a suportar caladas todas as adversidades em nome do único amor da sua vida, verdadeiro e eterno.

Eu sempre brinco que a única coisa que ganhei sendo monogâmica foi chifre, e fui monogâmica porque de fato não sentia desejo por outros homens, isso acontece na não monogamia também, mas ficava me perguntando se seria assim sempre, se só sentiria desejo por ele e mais ninguém. Nunca me vi apaixonada e transando com um único homem pelo resto da minha vida! Falei isso pra um amigo esses dias e ele me disse que acha que a maioria das mulheres pensam assim, só não têm coragem de assumir. E é isso mesmo, tem que ter muita coragem! Na sociedade machista que vivemos, muitas mulheres pagam com a vida por esse desejo, são mortas pelos parceiros por quebrar a regra, por querer viver outros afetos, ou se assumem logo de cara isso, como eu, pagam o preço da solidão, pois não somos relações sérias, somos sexo de ocasião, bem como carinho e atenção de ocasião.

É como se não tivesse nome o que eu quero. Eu não desejo ter uma relação assumida pra geral, de envolver família, morar junto então, nem pensar! Ter que expor minha filha a homens que eu jamais irei obrigá-la a tratar bem ou ter relação, enfim, mas quero ter afetos que eu possa conversar, dar uma volta, transar muito, saber como está, contar como estou, coisas gostosas de fazer a dois. Daí podem me dizer: ah, mas assim tu só queres a parte boa! Sim, mas qual é o crime de só querer coisas boas e descomplicar as coisas? Hehe! E quem disse que a não monogamia também não tem seus problemas? Tem vários, inclusive a desconstrução de conceitos e comportamentos da monogamia que ainda reproduzimos! Mas este é o nome que achei pro que eu quero, relações não monogâmicas é o caminho que mais condiz com o que busco e amadureci sobre relacionamentos.

Creio também que não seja impossível encontrar quem pense como eu e deseje ter relações não monogâmicas, é bom ter esperança! Importante ter certeza do que se quer para não se enganar em relações que não serão recíprocas nesse sentido. É muito difícil, eu sei, mas eu pago o preço de ser quem eu sou e não precisar fingir que sou algo só pela necessidade de ter alguém, eu já fiz isso e não é nada agradável! O preço de ficar sozinha hoje me sai muito mais em conta, quem sabe um dia o acaso me agracia e o padrão monogâmico não me vença mais, que eu seja amada, desejada e respeitada justamente por ser assim. Hoje me sinto mais feliz e segura em saber o que quero, lado maravilhoso de envelhecer! Sou muito agradecida por todas que se dedicam a refletir e escrever sobre não monogamia e poliamor, pois é isso que importa, buscar ser feliz entendendo que a felicidade não está nas caixas prontas, existe uma infinidade de possibilidades e o ser humano é muito diverso, ainda bem!

Que sigamos na luta pela nossa felicidade, desmontando padrões e enfrentando o status quo, é dureza, mas certamente é melhor que passar uma vida inteira se enganando e se frustrando. Muitas mulheres passaram uma vida sem saber o que é ser dona de seus corpos e seus desejos, não podemos mais permitir isso! Vamos seguir lutando para que todas as mulheres sejam livres e donas de seus destinos, permanecendo vivas por suas escolhas! O amor é livre, assim como nossos corpos e individualidades!
Viva o amor! Viva a liberdade!

Boa sorte e força na vida!

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Afetos e desafetos na quarentena


Este texto é um desabafo, então peço carinho na sua leitura. Foram meses, talvez anos me queixando sozinha por não ter um afeto decente, e mesmo passando a  compreender os motivos que me levam a estar assim, isso não deixava de ser triste. Aí mora o perigo, pois muitas vezes a carência nos leva a caminhos muito tortuosos... mulher negra, livre, não mono então, nem se fala! Parece território de ninguém! Minha carne é a mais barata, não merece valor, nem respeito. Já chorei muito por isso, quero tentar não mais.

Quando começou o isolamento social por conta da pandemia de covid-19, pensei: Agora sim! Vou amargar ainda mais essa minha condição de solidão! Porque sem quarentena já tava ruim de arrumar algum afeto, imagina agora? Mas essa foi só uma das várias angústias do confinamento, pensar em não poder ver minha filha sabe lá até quando e no caos social que se aproxima, genocídio da população pobre em nosso país, aumento do desemprego e pobreza, com certeza me consumiram muito mais!

Mas passado esse primeiro impacto de susto com o novo e tentando me adequar à rotina de poucos contatos físicos, me veio esse momento de mais serenidade, de deixar o barco correr e não sofrer por antecipação. Tentar aproveitar bem o que tenho e viver cada momento com qualidade, mesmo que seja dentro de casa o tempo inteiro. Hoje as redes sociais nos aproximam muito mais,  inclusive são elas agora responsáveis por grande parte de nosso contato. Comentava com minha comadre que se ela morasse aqui em Belém agora eu iria falar com ela da mesma maneira como estou agora falando com ela na Itália, que aprendemos de bem antes da quarentena a lidar com as distâncias e mantermos vivo nosso afeto. Então chega o momento de usufruir dessa vantagem e não somente demonizar as redes, pois como tudo na vida, se não soubermos dar um limite, acaba sendo nocivo.

Tempo para refletir e escrever, isso tem sido maravilhoso! Estudar, ler mais, estudar da forma que eu queria e não conseguia, e que me frustrava tanto por não conseguir. Nessas reflexões e estudos, passei a olhar mais pra dentro de mim e agora pra essa tristeza por falta de afetos, ressaltando que de afetos não falo só de família e amizade, essas estão comigo sempre, com pandemia ou sem pandemia, perto ou longe, bem como dariam um outro texto, mas sim dos afetos e relações que envolvem sexo. Sexo sempre nos foi colocado como pecado, algo sujo, proibido, errado ou também como algo muito íntimo, intenso, que só pode acontecer com quem “merece” ou que é necessário manter “fidelidade” com quem se faz sexo para haver respeito, enfim, essas lógicas moralizantes e monogâmicas que sempre vão dar em tretas. Inclusive a vida sexual é uma das problemáticas desse momento, por impulso meu de gostar demais de sexo, no começo pensei que isso seria um problema muito maior para quem está sem um relacionamento fixo como eu, mas quem tem seus namoros, casamentos, casos e acasos também estão encontrando seus problemas. Tomara que todos busquem e tenham chance de buscar os melhores caminhos, assim como eu estou aqui refletindo sobre os meus afetos.

E sobre eles eu fico aqui lembrando dos fracassos, do quanto já me fudi na vida e mesmo assim insisto em me inserir em relações que vou me fuder, pelo simples fato de querer me apaixonar, de sentir paixão, como se fosse uma adicção querer viver esse estado. Ou não, talvez também só vontade mesmo de ter relações bacanas,  recíprocas, amorosas, todas nós buscamos. Mas chega um momento que a gente já coleciona tantas feridas que é melhor repensar os caminhos desses vícios e carências. Nós mulheres estamos suscetíveis à violência nesta sociedade machista e somos submetidas a diversos abusos, precisamos sempre nos defender, infelizmente. As leituras sobre solidão da mulher negra passaram a fazer todo o sentido e elas também me auxiliam na busca de minorar e não me culpar por essas frustrações.

Mas como defesa, penso que preciso saber aproveitar o que tenho e o que recebo, sem precisar ter que me dar demais pra receber algo, ou por vezes nada. Quero levar tudo na mesma medida, se não tem afeto, não tem, se tem cuidado, atenção e me dá, eu dou. E ser for demais, bem, se for muito, já fico um pouco nervosa, porque o que é demais me abusa também!

E com o passar dos dias acredito que todos foram também repensando seus afetos, e alguns até surgiram, afetos que eram desafetos, afetos que estavam se construindo, afetos que eu julgava ter ficado no passado. Sinal de que pelo menos algo de bom eu deixei pra ser reconsiderada neste momento, e que ótimo! Como se a vida desse outra chance pra fazer as coisas melhores, curtir coisas boas, mesmo na distância, não se sabe até quando. E por mais que eu saiba que fui ferida muitas vezes, também tenho consciência da minha responsabilidade por ter chegado a certos momentos, sem tornar isso uma autoculpabilização, sem desconsiderar o contexto de opressão a que estou submetida. A necessidade do momento em não fazer a rancorosa, me abrir um pouco,  relaxar, aproveitar, mas sem perder a noção, ter limites.

Importante encontrar esse ponto de equilíbrio para se preservar e evitar as mágoas também, eu poderia ter evitado algumas, inclusive. Sei que não ficarei imune de escrotices eventuais, mas agora vou procurando ser mais ciente dos terrenos onde piso, ter certeza e não perder de vista o que eu quero e o que o outro quer, essa falta de diálogo e honestidade sobre os quereres nos leva a criar falsas expectativas. Tentar desconstruir um pouco dessa “Disney” de romance que constroem na cabeça das mulheres e que são responsáveis também por essas expectativas, de saber amar e curtir os afetos cada um no seu tempo e na sua medida, sem exageros, com tranquilidade. Esse tempo de caos pede serenidade para o enfrentamento, pra nossa saúde mental, afetiva, em saber aproveitar o que se apresenta, sem angústia de futuro, cada vez mais foco no presente, nesse dia, nesse agora, com a certeza de que nada é eterno, inclusive os afetos, que podem virar sim desafetos se o entendimento não for possível, isso é normal, não é o fim, é o que tem pro momento. Pode ser até que isso mude, ou não, mas não precisa mais consumir minha existência!

Que venha cada dia, único como deve ser, não preciso também perder a intensidade, pelo contrário, eu posso ressignificá-la a ponto de não me machucar e seguir bem. Minha intensidade está aqui, no que faço, no que penso, no que ajo. Não existe felicidade plena somente nesses afetos, existe também a felicidade de estar aqui em paz, sozinha em casa, podendo curtir demasiadamente e sem interrupções a mulher que sou hoje. Quero ser melhor pra mim, mais sagaz, inteligente, talentosa, gostosa, madura e vou me dedicar a isso seguindo minhas leituras feministas, meus estudos em ciência política, cuidando melhor da saúde, do meu corpo, da estética, enfim, de minha auto estima, que vejo como determinante nessas questões de humilhação por afetos. Há um mundo de ferramentas que posso lançar mão pra isso, e tenho consciência dos pequenos privilégios que tenho e que me permitem isso. Quero ser melhor não mais pros outros, deixar um pouco de me entregar loucamente à luta contra as opressões que não incomodam só a mim, mas o coletivo. Quero seguir pensando no coletivo, mas cuidando mais de mim, e ganhando carinho dos meus afetos, porque não? Se tem, eu vou querer! Mas me dando na mesma medida. E se não tem, não vou mais sofrer!
Só o que me entristece por agora é não saber quando isso tudo vai acabar e poder ficar com minha filha, mas vou distraindo a mente por aqui e por acolá pra não pensar nisso. Agradeço a quem me ajuda!

Essa vida
Ora um sopro
Por vezes longínqua
Num caminho nunca eterno
Sem volta
Sofrida
Mas que alegria te dá
Na beleza das coisas simples
Que a gente saiba te valorizar
Vida.

sábado, 14 de março de 2020

Marielle Vive!

Essa semana tava passando o comercial da mini série sobre Marielle e a mamãe comentou comigo: E quem será que mandou matar essa mulher, pq nunca descobrem? Respondi o que já desconfiava desde o começo: Foi uma família de milicianos, mãe! E quando estão no poder, tudo fica encoberto. Mamãe então me disse: Tá vendo o que acontece quando tu te mete com esse negócio de governo, de política, de ficar protestando? Eles tem raiva de gente assim e tu ficas te metendo nisso!

Não tive como confortar muito minha mãe, sei que estou longe de ser uma Marielle e disse isso em resposta, mas a morte dela me impactou justamente por isso, por ela ser uma de nós, negra, militante feminista, língua ferina, que não se cala diante da injustiça, que enfrenta, o tipo de gente que eles odeiam. Estava no Fórum Mundial Social em Salvador no dia de sua morte e de repente se encheram as ruas dessas mulheres, as milhares de Marielles em todo o Brasil que ousam lutar, mesmo que o preço a pagar seja a morte. E assim Marielle Franco vive, em nossa luta!

Te honraremos, não vamos deixar de perguntar quem fez isso contigo, mesmo que uma gama de ignorantes venham destilar seu ódio, questionando o que fizeste de tão relevante, te chamando de vagabunda, pois essa é a pecha que nos dão quando vêem uma mulher enfrentar o patriarcado, ele reage com uma horda de reprodutores fieis da desinformação, como cães de guarda. Eles ignoram completamente o fato de Marielle ter atuado com apoio jurídico e psicológico aos familiares de policiais assassinados, por exemplo, ou fingem ignorar, pois muitos deles são cínicos mesmo e sentem-se legitimados por esses canalhas que estão no poder! Mas não vamos desistir, seguiremos pelo que é justo, pelo que acreditamos, caminhando rumo ao sonho de um outro mundo possível!

#mariellevive #quemmandoumatarMarielle #paremdenosmatar #feminismonegro


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Comunicação feminista e uso das redes sociais


Tive a satisfação de conduzir essa oficina com e para valorosas companheiras feministas esta semana. Minha experiência com o cyberativismo começou em 2006, na ocasião de minha militância na Rede de Juventude e Meio Ambiente - REJUMA. Participei de cursos e atividades que nos preparava e nos alertava sobre a importância de nossa atuação no campo virtual. Confesso que nesse tempo eu não considerava ser essencial o debate, diante do deficitário acesso a internet aqui no Norte do Brasil, porém me interessei em aprender e me envolver mesmo assim, pois formação e conhecimento a gente não pode dispensar. Hoje, com o aumento do acesso e principalmente com o resultado da última eleição presidencial, podemos ver o quanto é importante dominarmos estes instrumentos e que precisamos nos apropriar, produzir conteúdo, enfim.
Minha experiência atual é alimentando este blog e fazendo trabalho voluntário de social media da Vivência Percussiva, administrando seu canal no YouTube, contas no Google, Instagram e página no Facebook, que me possibilita aprofundar os aprendizados, pois é na prática que vamos aprendendo muito dessas ferramentas. Além disto, estou participando do curso de comunicação feminista, curso à distância organizado pela SOF - SempreViva Organização Feminista, exclusivo às militantes da Marcha Mundial das Mulheres - MMM. 
Para esta oficina que conduzi, preparei um slide no PowerPoint e um texto para introduzir breve debate. Foi muito rico e interessante, pois acabamos debatendo sobre a importância das relações intergeracionais na militância feminista, em que uma geração precisa aprender com a outra, respeitar e beber da experiência das feministas que lutam há anos, assim como valorizar o conhecimento das mais jovens, principalmente neste campo da militância virtual. Segue o texto:


FEMINISMO NAS REDES SOCIAIS

O feminismo é um movimento filosófico, político e social que ganhou muita força nos últimos anos e a internet tem bastante influência nisso. Você sabia que estamos na quarta onda do movimento?

A primeira onda feminista estava concentrada principalmente nos Estados Unidos e Europa, no entanto no Brasil já haviam também mulheres se organizando com pautas como direito ao voto, vida pública e questionamentos sobre as imposições de tarefas domésticas. Tendo início no século XIX, a primeira onda feminista foi marcada pelo movimento de mulheres sufragistas, poucos sabem, mas nesse mesmo momento havia um grupo de mulheres negras abolicionistas, tendo destaque Sojourner Truth, que trouxe a discussão de raça para a as pautas feministas, fazendo a relação das duas opressões que as mulheres negras sofrem.

A segunda onda teve início na década de 1950 perdurando até nos anos 1990, e foi marcada pelo slogan “o pessoal é político” de Carol Hanisch, que enfatizava a necessidade de trazer a público as opressões que as mulheres sofriam em casa. Além dessa expressão, muitas outras pautas foram levantadas como: liberdade sexual, direitos reprodutivos e violência contra mulher. Simone de Beauvoir também foi um nome marcante para a segunda onda, um de seus livros chamado “O Segundo Sexo” de 1967 tinha como questionamento a diferenciação entre sexo e gênero. Nesse momento, as feministas da segunda onda buscavam também explicações sócio históricas sobre a condição das mulheres como subordinadas na sociedade, buscando respostas para questionamentos como: “por que as mulheres estão sempre atreladas a reprodução?”, o fato das mulheres estarem sempre no papel de oprimidas seria um motivo que levava a união universal de mulheres na busca pela mudança dessa condição imposta pela estrutura patriarcal. Assim, começou-se a ampliar as pautas do movimento feminista, unindo vários grupos de mulheres partindo do princípio que apesar das peculiaridades de cada grupo de mulheres ainda sim havia uma pauta principal em comum, a luta por igualdade entre homens e mulheres.

A terceira onda feminista com seu início nos anos 1990 teve como essência a ideia de que as mulheres são diversas, dessa forma as vertentes do feminismo foram mais evidenciadas, formando subgrupos, cada um com suas peculiaridades: Feminismo Negro, Feminismo Liberal, Feminismo Marxista, Feminismo Radical, Feminismo Intersecional, Transfeminismo, Lesbofeminismo e Feminismo Anarquista. Com as vertentes em destaque, a terceira onda traz outras pautas para o movimento feminista, além das questões de gênero traz questões como classe, raça, as diversidades de gênero, sexualidade, violência de gênero, inclusão das mulheres na política, entre outras. Dentro das pautas citadas acima, uma das mais discutidas é a desconstrução do binarismo de gênero (entender como gênero somente feminino e masculino), Beauvoir já havia começado a discussão sobre a construção e desconstrução do termo gênero na segunda onda e na terceira onda um outro nome foi destaque, Judith Butler, apontando que o discurso universal é excludente, excludente porque as opressões atingem as mulheres de modos diferentes, sendo necessário discutir gênero com recorte de classe e raça, levando em conta as especificidades das mulheres.

A partir dos anos 2000 o movimento feminista se distanciou das ruas, diferente das mulheres da primeira e segunda onda, uma vez que conquistas como voto, direito ao divórcio e a propriedade já haviam sido obtidas. Porém, com o advento das redes sociais e com o surgimento do Facebook em 2004, Twitter em 2006 e Instagram em 2010, algumas das redes sociais mais famosas da atualidade o movimento feminista passou a se organizar e expor suas pautas, usando essas mídias também como forma de mobilização.

Esse advento tornou o movimento feminista mais inclusivo, pois muitas mulheres aderiram as redes sociais para exporem suas inquietações em relação a sociedade patriarcal em que vivemos, sendo assim, ser “feminista” não requisitava participar de mobilizações ou de grupos de mulheres, ou mesmo participar de reuniões.

Desta forma, a quarta onda vem com o cyberativismo, que segundo Andreia Martins (2014) “consiste na utilização da internet por grupos politicamente motivados que buscam difundir informações e reivindicações sem qualquer elemento intermediário com o objetivo de buscar apoio, debater e trocar informação, organizar e mobilizar indivíduos para ações, dentro e fora da rede”.

Por meio do cyberativismo é possível que meninas e mulheres que desconhecem sobre os direitos da mulher possam conhecer, se aproximar e adquirir consciência sobre a importância do feminismo. Torna-se um instrumento que incentiva o pensamento crítico, promovendo posicionamentos que influenciam tanto a vida pessoal quanto em sociedade. Propiciou popularidade maior ao movimento feminista nos últimos quinze anos, e em especial, oportunizou maior visibilidade a grupos não hegemônicos como de militância ao feminismo negro e transfeminismo.

As redes sociais tem sido instrumento indispensável para propagação das manifestações feministas e através desse espaço virtual, os blogs feministas tem ganhado visibilidade nos últimos tempos, circulando diferentes pautas e ampliando o alcance das discussões, permitindo dessa forma que as mulheres possam ter maior contato com o feminismo. Abordando diferentes temáticas, tais como: manifestações contra todas as formas de violência, denúncia a sociedade patriarcal que vivemos e todas as formas de opressão e submissão, mulher e trabalho, abordagem relacionadas ao corpo e a sexualidade entre outros.

No Facebook, merece destaque o grupo fechado “Mulheres unidas contra Bolsonaro” criado em agosto de 2018 e que conta atualmente com mais de três milhões e setecentas mil mulheres. O grupo surgiu como forma de reivindicação contra o machismo, misoginia e todas as formas de preconceito. Partindo da premissa que o cenário atual brasileiro com a crescente onda do conservadorismo representa ameaças aos direitos conquistados através de luta e mobilização popular, visualizou-se a necessidade de reorganização e reafirmação enquanto sujeitos políticos e de direitos.

Youtubers feministas 

Aqui abordaremos alguns nomes de mulheres que estão assumindo papeis de grande visibilidade na web a partir de canais e blogs. As mulheres protagonistas desse movimento, sejam elas emissoras das informações ou leitoras tem oportunidade de crescimento político e social, tendo a partir do contato com os discursos um meio educativo para evidenciar, problematizar, desconstruir e resistir as expressões do machismo, opressões cotidianas e tentativas de inferiorização por questões de gênero, pertença identitária, esteriótipos. Criado e atualizado por Julia Tolezano, JoutJout Prazer é o nome do canal com cerca de mais de 2.008.000 de inscritos no youtube e aborda discussões referentes a relacionamento abusivo e várias abordagens sobre acontecimentos cotidianos. Gabi Oliveira em seu canal Gabi das Pretas tem por volta de 351.635 inscritas que acompanham Gabi e suas discussões sobre empoderamento e autoestima da mulher negra, colorismo, cotas raciais, apropriação cultural entre outros. Maíra Medeiros comanda o canal Nunca te pedi nada, com cerca de 1.225.0862 inscritos e a ideia que deu inicio a esse projeto foi a de que certos assuntos não eram abordados e precisam ser. Suas discussões são voltadas para empoderamento feminino e aceitação.

O uso das hashtags

Em 2007 as hashtags começaram a ser divulgadas no Twitter. O intuito dessa ferramenta é agrupar posts sobre diferentes assuntos por tópicos, a partir de palavras chaves antecipadas pelo símbolo “#”, o chamado feminismo virtual. Tem-se como exemplo as mobilizações virtuais criadas por ativistas em 2015, que foram as hashtags feministas tais como #meuamigosecreto, #belarecatadaedolar. Afirma-se aqui, que os dados abaixo informados foram coletados a partir de uma breve pesquisa na rede social Instagram, e contabiliza a quantidade de postagem com as hashtags. As pesquisadoras usaram como critérios citar nessa pesquisa, as que obtiveram maior visibilidade:

#primeiroassedio com cerca de 2.809 publicações no instagram que deu espaço para relatos sobre a infância e os assédios sofridos;
#agoraéquesãoelas com mais de 5 mil posts, tendo intuito de reivindicar por visibilidade nos veículos de informação da internet para falar da luta feminista para ter voz em todos os espaços e contra a opressão masculina. (essa hashtag foi também, titulo de um álbum musical em 2016 para representar a nova geração do feminino no sertanejo); 
#meuamigosecreto com aproximadamente 8.933 posts, denuncia anonimamente as atitudes de pessoas do convívio social que tem posturas diferentes da imagem que “prega” para a sociedade;
#mexeucomumamexeucomtodas com mais de 62 mil que teve inicio com a organização de atrizes e internautas no intuito de repudiar casos de assédio sexual após uma figurinista ter denunciado o assédio sofrido por um ator durante seu trabalho;
• e a mais recente e considerada como o maior movimento de mulheres no país, a hashtag #elenão que movimentou mais de 70 mil posts no intuito de repudiar um dos presidenciáveis nas eleições de 2018.

Essa nova característica da onda digital tem quebrado os estereótipos antes atribuídos ao movimento feminista, as mulheres intituladas feministas eram vistas como as que não se depilam e estão foram do padrão de feminilidade, quando na verdade o determinante para tal afirmação é a tentativa de controle social dos corpos femininos pelo capitalismo e pela cultura patriarcal.

Feminismo nas redes: a força está na colaboração!

Fonte:

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Embuste

Tem coisas na vida
Com um gosto sem igual
Ver mulher se livrar de embuste
Se for eu, sensacional!

Mas por quantos temos que passar?
Que triste sina, mulher!
Ter que se decepcionar
A todo instante
Sem cessar

Mas não vale desistir de amar
Por mais que a dor te cegue
Amar é bom demais!

Já fico a esperar o próximo suspirar
O sorriso
O gozo
O florir
De beijos com tesão sem fim...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Tempo outra vez

Tempo
É ainda você, tempo!
Às vezes tão generoso
Imprevisível sempre
Na justa medida que se esvai as paixões
É a mesma medida que vem o perdão
Pode ser amanhã
Ou em meses
Até anos!
Existe uma escala de gravidade?
Ou uma de intensidade?
Não sei
Mas... mediocridade, não quero mais
Sai de mim, já tá demais!
Vida nova
Vem pra mim
Em toda idade.